domingo, 1 de maio de 2011

A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL: o primeiro ato de imposição cultural portuguesa


A conversão dos povos das novas terras encontradas fazia parte do extenso leque de objetivos almejados com as Grandes Navegações no final do século 15 e início do 16. Neste objetivo em especial, a Igreja Católica portuguesa e espanhola pega uma “ponga” e ver nesta “aventura do além mar”, uma excelente oportunidade de expandir a fé cristã e consequentemente aumentar o número de fiéis. Falando dessa forma, parece que este é o único dos objetivos atribuídos às Navegações, que não possui a finalidade econômica. Se pensarmos bem, com a conversão de novos milhares de fiéis, a arrecadação também aumentaria com os impostos doutrinais comumente cobrados, como por exemplo, o dízimo e a oferta.
A tela “Primeira missa no Brasil”, produzida em 1860, por Victor Meirelles é uma importante fonte histórica que nos fornece informações merecedoras de algumas boas reflexões. Mesmo produzida há mais de três séculos do fato ocorrido, a tela de Meirelles reconstitui com maestria, no imaginário dos brasileiros, como teria sido este momento histórico.
Se formos além da beleza e da perfeição dos traços artísticos, das cores e das técnicas de pintura, esbarraremos em elementos simbólicos que compõem a cena e que estão devidamente carregados, culturalmente falando.
Sendo assim, vamos a análise de cada um destes elementos:
O primeiro deles está no fato dos portugueses estarem todos posicionados ao lado direito da tela, ao lado do mar. Esta representação não nos aponta somente ao fato de que, quem chega são os portugueses, mas sim, que ao chegarem, conquistam. A posição destes na tela, clarifica em nós a impressão de invasão, mesmo com a ausência de atos violentos (trata-se de uma invasão cultural).
E se por um lado os portugueses estão reunidos à direita da cena, os nativos encontram-se do lado esquerdo, simbolizando o desencontro de dois mundos culturais completamente antagônicos. Mas o que chama a atenção é o fato de na cena só apresentar elementos culturais, neste caso o religioso, do homem branco, remetendo-nos a enfadonha visão de que os nativos não possuíam religião ou que aquilo que chamavam de religião, não deveria ser considerado como tal.
A cruz, sem sombra de dúvidas, é o elemento central da tela, nela está contida a ideologia cristã e o fato de está acima de todos, pode ser interpretado pela afirmação de que o cristianismo é a religião que deve ser seguida agora pelos nativos, ou seja, a cruz e a realização da missa em si, é um gesto de imposição cultural.
Mais um aspecto que nos chama a atenção é a postura dos nativos que assistem a celebração, esta não chega a ser de reverência, mas de curiosidade e aceitação, o que não retrata a verdade do conturbado processo de “imposição” e não de “conversão” religiosa que se deu entre portugueses e nativos.
A desvalorização da cultura indígena impregnada na tela de Meirelles, é digamos que, suavizada, se a compararmos com a tela produzida em 1948, por Candido Portinari que também procurava ilustrar a mesma temática: "A Primeira missa no Brasil."
Observe bem a tela de Portinari:



Percebam como é inexistente qualquer aspecto que nos remeta ao nativismo brasileiro, ou seja, esta concepção de Portinari não desvaloriza a cultura indígena, mas a exclui completamente do evento histórico em si.
Sendo assim, dentre os vários questionamentos que a análise destas telas em sala de aula podem gerar, também cabe ai, uma reflexão acerca da mentalidade e/ou da concepção de nação que estes artistas e parte da população em si, tinham na época das suas devidas produções.

Para finalizar nossa postagem, deixo alguns links interessantes acerca desses dois artistas.
Boa exploração:


http://www.portinari.org.br/

http://www.museucasadeportinari.org.br/

http://www.guiafloripa.com.br/victormeirelles/

http://www.eravirtual.org/pt/index.php?option=com_content&view=article&id=9&Itemid=16

Saudações históricas!

8 comentários:

  1. Isso só vem nos comprovar o etnocídio sofrido pelos nativos encontrados no Brasil, como os indigenas foram obrigados a se converter á religião dos colonizadores ,impedidos ,em muitos casos ,de manter seus costumes .
    parabens professor Hermes

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  2. ok! Como se não fosse suficiente a imposição cultural dos colonizadores, nós brasileiros levamos séculos negando o elemento nativo como um dos ícones que poderia bem representar a nossa identidade nacional.

    Forte abraço!

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  3. Fiz parte da história e construção dentro desse evento fantástico que é a "Procissão do Fogaréu", com as dramatizações das dores de Cristo, seja como co-autor da mais antiga (1971) e autor do texto do "Auto das Dores de Cristo", publicada no nosso livro "Teatro Nosso Cada Dia", baseada nas primeiras.
    A ideia de tais encenações partiu de uma indicação minha e de José Malta da Silva, radialista da Rádio Difusora de Serrinha. Vale a quem interessar, buscar em recantodasletras.com.br/autores/afernandopeltiere encontrarão não só algumas músicas da peça teatral como "PROCISSÃO DO FOGARÉU", como poesia/letra minha e música de Víctor López.
    Os elencos iniciais reuniam jovens do CRIARTE e do JUSECI (espécie de Pastoral da Juventude da Igreja Católica). O então prefeito municipal era Aluízio Carneiro da Silva.

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  4. Olá Fernando,
    Satisfação diante da vossa participação no blog História por Imagem!
    Grato pelas informações prestadas e prometo que darei uma olhada no site que propôs.

    Forte abraço e espero encontrá-lo mais vezes por aqui.
    Saudações!

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  5. ptz eu sugiro uma revisão no texto... o conteudo é bem bacana...

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  6. Professor, concordo que de fato os portugueses trouxeram sofrimento para os povos nativos e roubaram nosso bem mais precioso, a natureza. Obviamente seus métodos não foram os melhores possíveis, entretanto, olhando o contexto historico em que os fatos se passaram, é totalmente compreensivel. Com todo respeito, a titulo de esclarecimento pessoal, gostaria de saber o que as pessoas que condenam a colonização do Brasil, poderiam sugerir que tivesse sido feito. Porque não podemos negar que se não fosse a colonizaçao do nosso território, as coisas estariam consideravelmente piores do que se encontram agora, uma vez que nosso pais não progredia sob domínio dos povos nativos

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    1. Ninguem condena a colonização do Brasil, nem hoje nem na época, o que faz é refletir sobre ela com olhar crítico. Têm que ser critico. E olha o que você está chamando de progresso é progresso científico e não humano. Antes dos Europeus chegarem no Brasil os nativos tinham uma vida farta e agitada,onde constatemente surgiam renovações culturais. Leia algum antropólogo que preste,eu sugiro um livro que chama introdução a antrrropologia, ai sim você vai entender qual o problema que foi criado com a chegada das caravelas.

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  7. Me perdoa professor, sua iniciativa é muito boa e interessante porem as informações que você deu estão incorretas ou inconvergente como a história.
    1- esse quadro foi pintaso em 1861 cria uma ideia muito mais relacionada a época dele do que a época do descobrimento.
    2- se quisermos ler a descrição do quadro feito pelo autor sobre o quadro, ou se obsrvarmos com atenção veremos que esse indigenas contemplativos de certo modo representão o bom selvagem, o homem da antiguidade classica para o pintor
    3- o Portinari sempre foi um defensor vivido de temas que valorizavam os oprimidos, então não faria sentido ele excluir os indios para desvalorizar eles. Já pensou que o que ele queria dizer é que não se vê mais indios no Brasil, mais especificamente no sudeste, porque eles foram massacrados? Por que até onde consta é isso que o autor defendia.

    Queria também explicitar que valorizo sua iniciativa, mas que essas informações não estão legais, você vai ter que concordar.

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